Social Media disinformation in the pre-electoral period in Portugal (no prelo)

Este é o relatório completo (em inglês) do projeto Monitorização de propaganda e desinformação nas redes sociais, desenvolvido no MediaLab/CIES_Iscte para analisar a prevalência e o impacto da desinformação política nas eleições legislativas de 2019. A análise durou um mês – entre 6 de setembro e 5 de outubro de 2019. – e analisou todo o conteúdo de 47 páginas e 39 grupos públicos de Facebook para detetar a existência de conteúdos falsos ou manipulados, que tipo de conteúdos foram mais frequentemente utilizados, quais os meios de comunicação que servem de fonte a esses conteúdos e quais os atores políticos mais envolvidos.

Desde as eleições norte-americanas de 2016 que a ameaça das ‘notícias falsas’ e da desinformação tem suscitado cada vez mais preocupações. O papel das redes sociais online na propagação de conteúdos enganadores tem sido muito referido, assim como o seu aproveitamento por atores políticos interessados em influenciar os resultados eleitorais. Há vários estudos sobre a matéria, mas poucos realizados em Portugal e focando-se na realidade portuguesa. Este relatório analisou todo o conteúdo de 47 páginas e 39 grupos públicos de Facebook para detetar a existência de conteúdos falsos ou manipulados, que tipo de conteúdos foram mais frequentemente utilizados, quais os meios de comunicação que servem de fonte a esses conteúdos e quais os atores políticos mais envolvidos.

Os grupos e páginas analisados foram selecionados através de um processo de filtragem que combinou três critérios: o número total de fãs ou membros; a proporção de conteúdo político; e o número absoluto de posts publicados na ‘última semana’. Inicialmente, os grupos e páginas são analisados na sua totalidade, de forma a identificar as tendências principais, os principais produtores e distribuidores de conteúdos e as diferenças entre grupos e páginas. Depois, num segundo nível, é feita uma seleção das publicações mais populares para avaliar se contêm desinformação e, se sim, que tipo de desinformação.

A conclusão obtida é que os conteúdos de natureza desinformativa são predominantes nos grupos e páginas analisados, que vários atores políticos têm uma influência visível no conjunto de questões que são abordadas nesses grupos e páginas e que a maior parte da desinformação encontrada deriva da alteração de conteúdos noticiosos para servir fins políticos. Embora não tenha sido detetada uma interferência direta nos resultados eleitorais de 6 de outubro, foram monitorizados vários conteúdos desinformativos que, pelo seu alcance, poderão ter influenciado o comportamento eleitoral de algumas pessoas.

Este projeto de investigação resulta de uma parceria entre o Iscte Instituto Universitário de Lisboa e o Democracy Reporting International, com o apoio do Diário de Notícias e está institucionalmente enquadrado no CIES_Iscte.

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