André Ventura: a criação da celebridade mediática

 

Quem criou o fenómeno André Ventura? A televisão ou as redes sociais? André Ventura não é um político que ganhou visibilidade mediática. É antes alguém que, embora traçando um caminho na política, ganhou o estatuto de celebridade fora da política e utilizou essa visibilidade para depois se tornar um político-celebridade com expressão eleitoral. Os dados do Facebook permitem perceber que André Ventura beneficiou da notoriedade proporcionada pelos orgãos de comunicação social desde 2016 e também das páginas de apoio do Chega desde 2019.
Por Nuno Palma, Paulo Couraceiro, Inês Narciso, José Moreno e Gustavo Cardoso

 

Figura 1: Evolução das interações acumuladas em posts de páginas e grupos públicos de Facebook sobre André Ventura entre janeiro de 2016 e janeiro de 2021, por mês. Fonte: Crowndtangle.

 

Criação de uma celebridade

Nas reações que se seguiram aos resultados das eleições presidenciais de 24 de janeiro, muitos comentadores na televisão, cronistas nos jornais e cidadãos nas redes sociais procuraram explicar o resultado de André Ventura (11,9%) e projetar o seu significado em futuras eleições.

A capa do jornal público, no dia 26 de janeiro, é ilustrativa da saliência mediática do resultado eleitoral de André Ventura. Apresenta um mapa do candidato que ficou em segundo lugar em cada concelho e esclarece “Ventura não é um fenómeno rural, está em todo o território”.

A atenção mediática ao candidato que ficou em terceiro lugar, atrás de Marcelo Rebelo de Sousa e Ana Gomes, justifica por isso uma análise ao fenómeno André Ventura nas redes sociais.

Ao longo dos meses de Dezembro e Janeiro, o MediaLab ISCTE analisou a performance dos candidatos presidenciais nas redes sociais (Facebook, Instagram e Twitter) e verificou que o líder do Chega é um fenómeno de popularidade, em particular no Facebook, rede social utilizada por 86% da população portuguesa. Todas as semanas, André Ventura dominou as atenções no Facebook, com mais interações (reações, partilhas e comentários) que todos os outros candidatos presidenciais.
Mas como foi construída a marca André Ventura nos últimos anos? Foi impulsionada pelas redes sociais ou pelos órgãos de comunicação social? Por ambos?

Numa tentativa de ajudar a compreender como ascendeu André Ventura, e a descrever as principais fases deste percurso, o MediaLab Iscte apresenta os resultados de uma análise longitudinal, que revela como, ao longo dos últimos 4 anos, houve mudanças nos atores sociais que mais visibilidade pública deram à figura de André Ventura no Facebook.

A avaliação dos actores sociais que mais contribuíram para a popularidade online de Ventura foi efetuada através da identificação das páginas de Facebook que geraram mais interações dos utilizadores (em publicações sobre André Ventura). Importa referir que a nossa análise não procura destrinçar entre o sentimento positivo (de apoio) ou negativo (de crítica) face a André Ventura. Nesta análise, o nosso foco são os diferentes tipos de páginas de Facebook que foram alimentando a visibilidade online de André Ventura em termos da sua celebrização entre os portugueses.

Além disso, iremos também analisar a evolução, nos últimos dois anos, das menções a André Ventura nas notícias online e, ainda, dos seguidores nas páginas de apoio ao Chega no Facebook.

Com este conjunto de dados procuramos, por um lado, perceber a relação entre o número de notícias em que é mencionado e o crescimento da visibilidade online de Ventura e, por outro lado, descrever como essa maior visibilidade poderá ter contribuído para aumentar o número daqueles que o apoiam em várias Páginas e Grupos na rede social Facebook.

Apresentamos também o top 3 de posts no Facebook de páginas de meios de comunicação social, acerca de Ventura, para perceber que temas e dinâmicas de partilha mais contribuíram para a visibilidade da dimensão político-celebridade de André Ventura, com um destaque particular para o mês de Janeiro de 2021, em que se disputaram as eleições presidenciais.

Ao longo desta análise procuraremos contextualizar os dados apresentados, sinalizando os principais eventos offline que amplificaram a visibilidade online de André Ventura, num percurso que pode ser dividido em quatro fases e que começou muito antes da sua eleição para o parlamento em Outubro de 2019.

Esta análise não tem como objectivo de explicar as razões por detrás da votação em André Ventura nas presidenciais de Janeiro de 2021, as quais têm causas sociais e económicas mais profundas, mas apenas acrescentar outra perspetiva de análise que aponta pistas importantes para perceber como o processo de construção desta celebridade-político ocorreu, e qual a preponderância dos media tradicionais e digitais nesse processo.

 

De onde vem André Ventura?

André Ventura foi militante do PSD entre 2001 e 2018, professor universitário de Direito, inspetor tributário e consultor fiscal, mas foi enquanto comentador televisivo que se projetou no palco mediático.

Como o próprio conta ao Observador, “tudo começou na Benfica TV” em 2014, quando passou dos artigos de opinião sobre o clube para o comentário desportivo. No mesmo ano foi convidado pela CMTV para participar num programa sobre justiça “Rua Segura”. A verdadeira notoriedade seria conquistada nesse canal, quando se tornou comentador no programa de futebol “Pé em Riste” (de onde saiu em 2020 por “decisão editorial”).

Em entrevista ao Sol, Ventura reconhece que “muita coisa mudou” na sua vida quando foi para a CMTV, admitindo ainda que acompanhou “uma fase de grande crescimento da CMTV, mesmo em termos de audiências”.

O ano de 2017 é particularmente relevante para compreender o percurso de Ventura. É este o ano das citações acima, em que os media começaram a perguntar quem é André Ventura e o apresentaram à maioria dos portugueses.

A 17 de Julho de 2017 aparece na capa do jornal I, na qualidade de candidato do PSD à Câmara de Loures, com a manchete “Os ciganos vivem quase exclusivamente dos subsídios do Estado”. Para muitos este foi o primeiro contacto com André Ventura, dada a visibilidade política adquirida.

Logo a 12 de julho de 2017, André Ventura tinha dado uma polémica entrevista ao Notícias ao Minuto com o destaque “Há minorias que se acham acima da lei. Temos tido excessiva tolerância”. No dia seguinte o Bloco de Esquerda (BE) apresentava uma queixa-crime contra André Ventura e começavam as comparações com Donald Trump. A polémica, que levou o CDS a retirar o seu apoio ao PSD na corrida à câmara de Loures, levou Ventura a uma participação no programa de debate SOS 24, da TVI 24, para discutir o tema da segurança em Loures com o candidato do BE. Entre a primeira entrevista polémica (12 de julho) e a participação nesse debate político em televisão (22 de julho) passaram apenas 10 dias. Três dias depois viria a beneficiar de mais espaço de antena no Programa “Você da TV”.

Apesar desta incursão político mediática via autárquicas, André Ventura continuou no seu processo de celebrização mediática associado ao comentário desportivo (que apenas abandonou em Maio de 2020 por decisão editorial). A importância deste espaço desportivo em televisão fica evidente quando recordamos que, em Maio de 2019, no âmbito da campanha para as eleições europeias, Ventura viria a faltar a um debate eleitoral na RTP3 para participar no programa sobre futebol da CMTV onde era comentador habitual – criando, assim, um facto mediático tão relevante quanto as suas afirmações ao Jornal i em 2017.

André Ventura fez a construção da sua dimensão de celebridade-político assente no princípio que o que é importante é ser falado, mal ou bem. Entendeu, corretamente, que para poder almejar a ser votado tem de ser conhecido e, para tal, precisa de ser falado. A análise da sua prática comunicativa demonstra que o objectivo procurado é o ser falado. Quanto mais polémica se conseguir criar, mais alcance jornalístico, mais convites para programas de entretenimento é conseguido e, consequentemente, mais viralidade nas redes sociais é ganha.

Se o processo de celebrização mediática de André Ventura foi construído em torno da visibilidade do comentário futebolístico, em apoio do Benfica, sendo complementado por visibilidade política em campanha eleitoral autárquica e europeia, foi com a eleição para a assembleia da república em Outubro de 2019, como veremos, que a celebridade mediática se uniu à visibilidade política.

 

André Ventura no Facebook

Como as análises publicadas pelo Barómetro Presidenciais 2021 do MediaLab demonstram, a presença de André Ventura nas redes sociais durante o período de campanha e pré-campanha eleitoral foi particularmente evidente no Facebook, por comparação com os restantes candidatos presidenciais.

Esta preponderância, de resto, já vinha sendo notada nas várias páginas do partido Chega naquela rede social, com taxas de interação (número de interações face ao total de seguidores) quase sempre superiores às dos restantes partidos e competidores eleitorais.

Sendo o candidato presidencial que liderou de forma destacada no Facebook, justifica-se uma análise longitudinal mais atenta à evolução do fenómeno André Ventura nessa rede social, para tentar perceber que páginas (ou tipo de páginas) alimentaram mais interações e assim proporcionaram mais notoriedade ao líder do partido Chega.

A figura animada 1 com que abrimos este artigo acompanha o número acumulado de interações em publicações de páginas de Facebook que se referem a André Ventura. Nela podemos observar que, entre 2016 e 2021 muitas páginas de Facebook congregaram a atenção em André Ventura – expressa em interações. Este período de 5 anos, vai desde os primórdios da sua presença televisiva como comentador futebolístico até à recente campanha presidencial, passando pela corrida à Câmara Municipal de Loures (ainda pelo PSD) e pela eleição como deputado (após fundar o Chega). 

A primeira menção que surge, curiosamente, é da página “Maka Angola”, uma empresa de notícias, e remete-nos para uma fase anterior na vida de André Ventura, sendo mencionado enquanto “jovem e dinâmico professor de Direito Penal português”, a propósito do caso Manuel Vicente. 

No percurso ilustrado pela infografia acima, é possível identificar quatro fases iniciais, culminando no pico de atenção correspondente ao resultado nas eleições presidenciais de 2021.

 

Até maio de 2017: Comentador televisivo de futebol

As referências a André Ventura no Facebook, antes de março de 2017, são quase todas referentes à sua presença na CMTV como comentador residente do Benfica no programa de discussão futebolística “Pé em Riste”. Inclusivamente, no ano de 2016, devido à sua exposição mediática, foi mesmo um dos membros destacados da comissão de apoio à recandidatura de Luís Filipe Vieira como presidente do Benfica.

Neste contexto, não é de estranhar, como se pode ver na figura 2, que até março de 2017 as referência ao então ainda militante do PSD viessem sobretudo das páginas ligadas aos meios de comunicação social do grupo Cofina – o Correio da Manhã, onde era comentador, e o desportivo Record.

Outras páginas que colocaram os holofotes em André Ventura nesta primeira fase, eram páginas conotadas com clubes de Futebol, quer em apoio das posições do “representante” do Benfica (Um Azar do Kralj, Eu Apoio o André Ventura), quer sobretudo em sua oposição (Sporting Fans, Portal dos Dragões, Super Portistas, Super Sporting, etc).

Sendo verdade que Ventura apenas abandonou o comentário desportivo em 2020, é de destacar que, entre 2014 e 2017, essa era a única razão da notoriedade pública de André Ventura no Facebook, constituindo-se como a base da celebrização mediática que se seguiu.

Figura 2: Interações acumuladas em posts de páginas e grupos públicos de Facebook sobre André Ventura até maio de 2017. Fonte: Crowndtangle.

 

Até novembro 2018: Autarca em Loures

Em Abril de 2017, André Ventura foi nomeado pelo PSD para concorrer à presidência da Câmara Municipal de Loures, um concelho tradicionalmente comunista que, como outros concelhos limítrofes de Lisboa, tem comunidades de etnia ciganas.

O “problema cigano” foi abordado por André Ventura durante a campanha eleitoral, e começou a despertar muita atenção no Facebook (como o gráfico animado acima demonstra), sobretudo na sequência de entrevistas polémicas aos meios de comunicação social em Julho desse ano.

Como se pode observar na figura 3, a partir dessa data, deixaram de ser os meios e media desportivos e passaram a ser sobretudo os meios de comunicação social generalistas a prestar atenção a André Ventura e a suscitar interações nos conteúdos em que ele era mencionado.

SIC Notícias, Observador, Correio da Manhã, Notícias ao Minuto, semanário Sol, Público e Expresso foram algumas das páginas do Facebook que suscitaram mais interações com conteúdos sobre André Ventura nesta fase. De notar igualmente a presença significativa da página de Manuel Luís Goucha, que entrevistou Ventura a propósito das declarações polémicas sobre a etnia cigana, gerando milhares de interações.

As declarações polémicas sobre os ciganos na corrida à Câmara Municipal de Loures marcaram o percurso político de Ventura porque, apesar da derrota eleitoral, foram entendidas como uma “receita de sucesso”, uma vez que melhorou em quase 6 pontos o resultado do PSD (21,6%) face a 2013 (16%), elegendo mais um vereador (total de 3).

Em Setembro de 2018, na qualidade de vereador em Loures, e cada vez mais descontente com a linha política do seu partido, Ventura lançou um movimento chamado Chega para destituir a liderança de Rui Rio no PSD. Esse movimento viria a constituir o embrião do futuro partido com o mesmo nome.

Figura 3: Interações acumuladas em posts de páginas e grupos públicos de Facebook sobre André Ventura até novembro de 2018. Fonte: Crowndtangle.

 

Até setembro 2019: Líder do Chega

O Chega aparece no Facebook logo em Dezembro de 2018, e entra de rompante no top das páginas com mais interações acerca do seu futuro líder. Isso foi notório desde o início, mas tornou-se ainda mais manifesto a partir de Abril de 2019, data da formalização do partido Chega no Tribunal Constitucional.

Nesta altura, a captura de atenção por parte de André Ventura no Facebook começou a ser alimentada – também – pela via alternativa da presença não mediada do partido no Facebook.

Em abril de 2019, a página do Chega no Facebook já era a página que mais interações acumulava sobre André Ventura (52.979). A partir daí cresceu de uma forma muito mais rápida (como a animação acima claramente documenta), impulsionada pela campanha para as eleições europeias de Maio.

Em Setembro de 2019, mesmo antes das eleições legislativas de Outubro, o partido Chega já acumulava cerca 280 mil interações em posts acerca de André Ventura, conforme se pode observar na figura 4.

Como veremos a seguir, a explosão da atenção dedicada a Ventura tornou-se particularmente massiva depois das eleições de Outubro desse ano, mas esta análise demonstra que tinha começado uns meses antes.

De notar igualmente que começou neste período o surgimento de outras páginas associadas ao partido – como a página do Chega Cascais – numa estratégia de multiplicação de canais de comunicação no Facebook que viria a intensificar-se no futuro, incluindo com o surgimento de uma página importante do próprio líder.

Antes das eleições legislativas de 2019, mercê de uma grande exposição mediática – primeiro com o comentário futebolístico e depois com as polémicas políticas com o tema dos ciganos e com o PSD – André Ventura já tinha criado a rampa de lançamento para o primeiro plano da política nacional, sobretudo baseada na rede social Facebook. A página de Facebook de André Ventura seria criada a 29 de julho de 2019.

Figura 4: Interações acumuladas em posts de páginas e grupos públicos de Facebook sobre André Ventura até setembro de 2019. Fonte: Crowndtangle.

 

Até janeiro de 2021: Deputado e candidato presidencial

Nas eleições legislativas de Outubro de 2019, o Chega teve um resultado extremamente positivo com a eleição de um deputado – o próprio André Ventura.

Apesar da votação do partido Chega nessa eleição não ter sido muito expressiva (1,29%), foi suficiente para cumprir o principal objetivo de Ventura, entrar no parlamento e assim conquistar mais atenção mediática.

Em Outubro de 2019, os partidos Chega e Iniciativa Liberal possuíam presenças muito semelhantes em grandeza no Facebook (72 mil fãs o segundo e 55 mil o primeiro), enquanto que o Livre, que também elegeu um deputado, tinha somente 28 mil.

Depois da entrada de André Ventura no parlamento, e do consequente aumento da sua exposição mediática, o número de interações das páginas do Chega e do próprio Ventura, cresceram exponencialmente, assim como o número de seguidores (cfr. gráfico sobre os seguidores mais abaixo).

No gráfico animado no início deste artigo é possível ter uma melhor noção da magnitude do crescimento da presença do Chega e Ventura no Facebook no período imediatamente a seguir às eleições legislativas de 2019.

Se, em setembro de 2019, André Ventura tinha registado um total de 83 mil interações no Facebook, no mês seguinte saltou para quase 7 vezes mais, atingindo as 571 mil interações.

Em Janeiro de 2020, apenas 4 meses depois, já registava um total de 715 mil interações por mês. Em termos de comparação, o mês das presidenciais – janeiro de 2021 – representou 2,25 milhões de interações em todo o Facebook a propósito de André Ventura.

É indiscutível que Ventura teve grande exposição mediática até este momento, mas o que estes números demonstram é que, nesta fase, parecem ser as páginas ligadas a Ventura e ao Chega que se auto-alimentam em termos de interações, gerando a maior parte delas. Claro que essas interações dependem, em grande parte, de conteúdos noticiosos gerados pelos meios de comunicação social. Mas essas páginas geram a maior parte das interações.

Como se pode ver na figura 5, além da página do partido Chega e do próprio André Ventura, surgem várias páginas ligadas ao partido como veículos prioritários de interações sobre Ventura: Página de Apoio a André Ventura, Chega Coimbra, Ventura Portugal e Apoio a André Ventura.

Também importante é a presença de “opinion makers” inteiramente digitais – como João Tilly ou Camilo Lourenço – entre aqueles que publicam conteúdos que geram mais interações acerca de André Ventura.

A este propósito é de destacar a página Chega de Ventura, que atualmente surge como uma das páginas que mais interações gera a propósito de Ventura. Esta página é crítica do partido e do seu líder, procurando desconstruir as mensagens de André Ventura.

Esta tendência – de surgimento de muitas interações que são críticas de Ventura – cresce em reação à cada vez maior visibilidade do partido e do político (como veremos mais à frente noutro gráfico).

Figura 5: Interações acumuladas em posts de páginas e grupos públicos de Facebook sobre André Ventura até janeiro de 2021. Fonte: Crowndtangle.

 

 

Publicações e interações entre 2016 e 2021

Figura 6: Evolução das interações em posts sobre André Ventura publicados por páginas e grupos públicos de Facebook entre janeiro 2016 e janeiro de 2021. Fonte: Crowdtangle.

 

Figura 7: Evolução do número de posts sobre André Ventura publicados por páginas e grupos públicos de Facebook entre janeiro 2016 e janeiro de 2021. Fonte: Crowdtangle.

 

A evolução das interações (reações, partilhas e comentários) e número de posts no Facebook apresentada nas figuras 6 e 7 demonstram que as duas variáveis estão ligadas, quanto maior é o número de publicações sobre André Ventura, maior é o número de interações que são geradas.

Ambos os gráficos permitem perceber que foi a fundação do Chega em Abril de 2019 e, principalmente, a eleição de André Ventura para a Assembleia da República, em Outubro do mesmo ano, que fizeram disparar a sua visibilidade no Facebook.

Durante o ano de 2020 encontramos alguma oscilação no crescimento das interações, em parte explicada pela situação da pandemia da Covid que condicionou a ação política de Ventura. Ainda assim teve momentos importantes para a atenção no Facebook como a proposta sobre o confinamento de ciganos, as manifestações anti-racista ou as eleições legislativas regionais nos Açores.

Mais recentemente, como podemos constatar, foi na campanha das eleições presidenciais que a visibilidade de André Ventura no Facebook voltou a subir, tendo sido registadas mais de 2,25 milhões de interações em posts sobre o candidato apoiado pelo Chega só no mês de Janeiro de 2021.

 

Evolução do número de seguidores no Facebook

Figura 8: Evolução do número de fãs de todas as páginas de Facebook afetas ao partido Chega e a André Ventura, com mais de 1000 seguidores, desde janeiro de 2019 a janeiro de 2021, por mês. Fonte: CrowdTangle

 

A evolução do número de seguidores das páginas relacionadas com o partido Chega no Facebook também confirma que foi sobretudo depois das eleições legislativas de Outubro de 2019 que o fenómeno André Ventura começou a disseminar-se na sociedade portuguesa.

Conforme se pode ver na figura 8, o crescimento anterior era consistente, mas acelerou rapidamente depois de André Ventura ter conseguido o lugar de deputado e a mediatização conseguida com ele. Desde essa altura, o número de seguidores das páginas afetas a Ventura e ao Chega nunca mais deixou de crescer, até hoje.

Outro fenómeno interessante que os dados também demonstram – e que pode ser visto igualmente com clareza na animação do início deste artigo – é o surgimento e crescimento muito rápido da página de Facebook do próprio André Ventura.

Criada em Julho de 2019, a página pessoal de Ventura aproveitou toda a “embalagem” da eleição para a Assembleia da República para ultrapassar em número de fãs a página do seu partido (136 mil atualmente, contra 123 mil do Chega).

 

Figura 9: Evolução do número de fãs das páginas de Facebook do partido Chega e de André Ventura desde janeiro de 2019 a janeiro de 2021, por mês. Fonte: CrowdTangle.

Nas páginas do Chega e de André Ventura no Facebook, o mês de Janeiro, com as eleições presidenciais, parece ter tido um efeito de alavancagem no já elevado padrão de interações dessas duas páginas.

 

Figura 10: Evolução do número de comentários nas páginas de Facebook do partido Chega e de André Ventura desde janeiro de 2019 a janeiro de 2021, por mês. As cores indicam diferentes tipos de posts. Fonte: CrowdTangle.

 

Este efeito presidenciais foi notório no barómetro do MediaLab e pode ser visto, por exemplo, no gráfico da figura 10, que expressa a quantidade de comentários nas páginas relacionadas com o partido Chega no Facebook.

Esse aumento do número de comentários (com a cor mais esbatida, uma vez que o mês ainda não acabou) reflete igualmente um efeito polarizador que levou muitos utilizadores críticos do Chega a entrarem em discussão com os apoiantes desse partido nos posts em que André Ventura era referido, nas páginas do Chega e não só.

Neste momento, não sabemos se esse efeito polarizador, observável no acréscimo de interações (sobretudo dos comentários) terá sido um fenómeno pontual, relacionado com a campanha presidencial, ou se inaugura uma nova fase semelhante às descritas acima. Só análises futuras o poderão indicar.

 

André Ventura nas Notícias

Figura 11: Notícias publicadas nos meios de comunicação social portugueses online, sobre “André Ventura”, entre janeiro 2019 e janeiro 2021, por mês. Fonte: Brandwatch.

 

Como foi possível ver na animação do início deste artigo, os meios de comunicação social tiveram um peso importante no acréscimo de interações – e portanto de atenção – a propósito de André Ventura, sobretudo a partir da sua eleição para deputado à Assembleia da República. Neste sentido, decidimos olhar também, de uma forma autónoma, para a cobertura noticiosa online do fenómeno mediático André Ventura.

Entre janeiro de 2019 e janeiro de 2021 foram publicadas online cerca de 37 mil referências a André Ventura, em 3.143 sites diferentes.

Conforme se pode ver na figura 11, a presença de André Ventura nas notícias publicadas nos meios de comunicação social tem um claro crescimento no período das eleições legislativas de 2019. O deputado único do Chega passa a ser presença assídua nos principais jornais online, presença que cresce com o anúncio da candidatura à Presidência da República.

Em janeiro de 2021, mês de campanha e acto eleitoral, as notícias sobre André Ventura crescem exponencialmente atingindo valores próximos dos 10,000 artigos publicados.

No período de 9 meses antes das eleições legislativas de outubro de 2019 – entre janeiro e setembro desse ano – André Ventura foi mencionado em 2.713 conteúdos online, o que origina uma média de 301 referências por mês.

Nos 15 meses desde a sua eleição (em outubro de 2019) até ao final de 2020, a quantidade total de conteúdos em que o deputado é mencionado cresceu para cerca de 26 mil, o que resulta numa média de 1.733 referências por mês.

Só nos primeiros 26 dias do mês de Janeiro – coincidindo com a eleição presidencial, conta com mais de 10 mil menções. Ou seja, tal como aconteceu no Facebook, as eleições presidenciais trouxeram a André Ventura uma visibilidade nos media muito superior à obtida anteriormente.

 

De janeiro de 2016 a maio de 2017

De junho de 2017 a novembro de 2018

De dezembro de 2018 a setembro de 2019

De outubro de 2019 a dezembro de 2020

Em janeiro de 2021
Figura 12: Publicações sobre André Ventura em páginas de Facebook de meios de comunicação social portugueses com mais interações em cada uma das fases identificadas na figura. Fonte: CrowdTangle

 

As páginas de Facebook dos órgãos de comunicação social (OCS) arrecadaram uma parte substancial das interações dentro da rede social no período compreendido entre Janeiro de 2016 e Janeiro de 2021.

O padrão de partilha do artigo tipo sobre André Ventura é o seguinte: site do OCS → página no Facebook do OCS → interação do utilizador. Menos comum é a partilha direta do artigo a partir do site do OCS. O que significa que a maior parte do contacto dos utilizadores com os conteúdos sobre André Ventura ocorre preferencialmente dentro da rede social e não nos sites dos meios de comunicação social.

Outra conclusão possível de apresentar, é que os conteúdos noticiosos que tiveram transversalmente sempre mais interações são aqueles que se relacionam com frases ou medidas polémicas do atual líder do Chega, nomeadamente a castração química de pedófilos, a pena de morte, o trabalho de presos ou o fim do rendimento mínimo.

Algum do conteúdo sobre a comunidade cigana com origem em 2016-2017 já não se encontra online nas respetivas páginas dos órgãos de comunicação social, mas permanece na rede social Facebook, materializando esta ideia de que depois de lançado o tema pelos OCS, é difícil retirá-lo da agenda das redes sociais.

Uma outra conclusão surgida é o crescimento de interações ao longo do tempo, que se pode observar com clareza na evolução das métricas dos posts mais populares em cada fase. Igualmente de destacar é a reciclagem de temas e tópicos por parte dos OCS.

Os artigos com mais interações de 2017-2018 foram reciclados nos anos seguintes, maioritariamente com o mesmo conteúdo e títulos idênticos. Em alguns casos tal acontece sem que André Ventura tenha voltado a abordar diretamente esses temas. Esta reciclagem indica que os órgãos de comunicação social têm uma noção clara do que funciona e tendem a repetir essa receita vencedora mesmo que a mesma não seja “notícia”.

Parece existir aqui uma relação de quase simbiose entre os meios de comunicação social online, sobretudo na sua manifestação dentro da rede social Facebook, e um tema – André Ventura – que é gerador de uma elevada taxa de interação, o que acaba por beneficiar ambos: os media e o próprio Ventura.

 

Conclusão

O trabalho do MediaLab relativo ao barómetro Presidenciais 2021, assim como outros anteriores, apontou André Ventura como um “fenómeno” de viralidade na rede social Facebook. No entanto, importava compreender melhor como a sua projeção nesta rede social fora construída e o contributo da rede para a construção da celebridade-política André Ventura.

Este estudo permitiu, através de uma análise longitudinal, identificar 4 fases no percurso digital de André Ventura:
a) de janeiro de 2016 até maio de 2017: Comentador televisivo de futebol
b) de junho de 2017 até novembro 2018: Autarca em Loures
c) de dezembro de 2018 até setembro 2019: Líder do Chega
d) de outubro de 2019 até janeiro de 2021: Deputado e candidato presidencial

Em cada uma destas 4 fases encontramos diferentes páginas de facebook que deram visibilidade a Ventura nesta rede social.

Primeiro surgem as páginas do Correio da Manhã e Record, do grupo cofina, a celebrizar André Ventura, assim como outras ligadas ao mundo do futebol, numa fase em que era conhecido apenas por ser comentador desportivo da CMTV.

Numa segunda fase de celebrização, encontramos órgãos de comunicação social diversos como a SIC Notícias ou o Observador, na sequência da corrida à Câmara de Loures envolta em declarações polémicas sobre a comunidade cigana.

Na terceira fase, pré-legislativas, entra em cena o Chega, que concentra as atenções sobre Ventura e agita as redes sociais com a multiplicação de páginas e grupos de apoio ao seu líder.

Na quarta fase, surge a página pessoal de André Ventura, que após a sua eleição para o parlamento, e durante a sua campanha para as Presidenciais, continuou a somar polémicas. Essas polémicas levaram ao aparecimento de uma página contra Ventura (Chega de Ventura), que procura contrariar as narrativas que circulam nas redes sociais a favor do líder Chega. Também nesta quarta fase ganham força autores de opinião no Facebook como João Tilly ou Camilo Lourenço, demonstrando a influência que outras figuras podem ter com o seu comentário político nas redes sociais.

A nossa análise sugere que Ventura aproveitou a lógica confrontacional, emocional e sensacionalista dos formatos mediáticos para lançar a sua marca pessoal e criar a sua própria celebrização. Primeiro no comentário desportivo em defesa do Benfica, e mais tarde na política em defesa dos “portugueses de bem”, a postura combativa “contra tudo e contra todos” fez crescer a sua base de fãs. Esses fãs seguidores de Ventura apareceram logo na 1ª fase e foram crescendo de forma consolidada, disparando com a entrada no parlamento em Outubro de 2019.

A exposição mediática no comentário televisivo e posteriormente a cobertura noticiosa à polémica candidatura a Loures conferiram uma elevada exposição mediática a Ventura mas, atualmente, parecem ser as páginas ligadas a Ventura e ao Chega a gerar a maioria das interações. A multiplicação dessas páginas (identificámos 64 com mais de 1.000 seguidores) parece sugerir que no Facebook foi construído estrategicamente um ecossistema de disseminação de informação para promover a imagem de André Ventura, mesmo à custa de muitas críticas.

Essas páginas registam um crescimento sólido de seguidores e aproveitam, evidentemente, os conteúdos noticiosos gerados pelos meios de comunicação social. Mas a nossa análise releva que também os media beneficiam com a “viralidade” de André Ventura, sobretudo em conteúdos polémicos como castração química de pedófilos ou a pena de morte. Essa viralidade leva os órgãos de comunicação social a reciclar conteúdos que tiveram sucesso no passado, através de um enquadramento que salienta os aspetos mais polémicos das frases e propostas de Ventura.

É na transição para a 3ª e 4ª fase, em que “André Ventura” se torna sinónimo de interações para a comunicação social (cujo modelo económico depende dos clicks), que se torna evidente a reciclagem de títulos que geraram viralidade no passado.

A comunicação social, que continua a ser a principal produtora de conteúdo sobre André Ventura, vê esse conteúdo ser partilhado por páginas e grupos afetos ao Chega, sobretudo desde 2019. Inclusivamente, assiste à republicação de notícias de 2017 e 2018 que tinham tido uma visibilidade mais limitada à data da sua publicação. Também se destaca que a partilha de conteúdo dos OCS, é feito maioritariamente a partir das páginas de Facebook dos diversos órgãos e menos diretamente a partir do site das marcas. Esta prática indica que quem interage com conteúdo sobre “André Ventura” procura atualizar-se dentro da própria rede social, cujo algoritmo provavelmente não dá a mesma projeção a outras notícias produzidas pelo mesmo órgão.

Na tentativa de gerar mais interações e potenciar o alcance dos seus artigos nas redes sociais, os meios de comunicação podem, em determinados momentos, ter conferido a André Ventura uma visibilidade desproporcional face à sua relevância política. No contexto das redes sociais, onde os conteúdos de cariz mais controverso tendem a gerar mais interações, o discurso de André Ventura funciona como impulsionador das métricas quantitativas que servem muitas vezes como medidor de sucesso para quem publica.

A visibilidade de André Ventura no Facebook permitiu o desenvolvimento e o crescimento da sua própria plataforma de comunicação centrada na sua página oficial e na página do Chega, que se revelam hoje muito mais relevantes em termos de alcance no Facebook do que as próprias páginas dos meios de comunicação. Assim, a intermediação dos órgãos de comunicação social no Facebook perdeu relevância para André Ventura, que passou a falar directamente para os seus seguidores. Durante a campanha das eleições presidenciais, as notícias partilhadas pela página de André Ventura foram até das que mais interacções verificaram. No entanto, o crescimento da base eleitoral futura pode determinar a necessidade de criar uma nova articulação, entre comunicação via páginas partidárias para os atuais votantes e recurso à comunicação social para novos potenciais votantes.

Olhando para os modelos de negócio da imprensa online, este tipo de estratégia acaba por parecer paradoxal. Segundo estimativas de plataformas de monitorização de tráfego como a SimilarWeb, apenas 10% a 15% das visitas a sites dos principais orgãos de comunicação são provenientes de redes sociais, não parecendo estes valores justificarem uma valorização determinante das métricas geradas no Facebook. Por outro lado, se as métricas do Facebook forem apenas interpretadas como barómetro dos interesses da audiência, é importante perceber que este tipo de métricas podem ser inflacionadas pela militância política nas redes sociais, na tentativa de tornar determinados conteúdos e temas mais relevantes ou de contrariar determinadas narrativas.

Tendo em conta que a larga maioria dos portugueses utilizam o Facebook, uma forte presença dos media nesta rede social pode também ser uma questão de notoriedade e relevância no plano mediático, mas ao alimentar determinados fenómenos mediáticos de celebrização de políticos os media podem ajudar a criar situações em que deixam de ser um interlocutor necessário. Fala-se hoje em “ditadura dos cliques” quando se analisam as estratégias dos meios de comunicação nas redes sociais, embora os modelos de negócio atuais não pareçam indicar que assim seja.

Resta portanto a pergunta formulada no início: o fenómeno André Ventura, que tanto agora se procura explicar, foi criado e impulsionado pelas redes sociais ou teve a sua origem nos órgãos de comunicação social? Ou ambos?

A nossa investigação permite concluir que, pelo menos no Facebook, ambos os fatores tiveram o seu peso, embora em alturas diferentes do processo. A exposição inicial de André Ventura no mundo polémico, mas altamente visível, do comentário futebolístico deu-lhe o primeiro impulso de notoriedade. Mais tarde, juntou as polémicas nas eleições autárquicas em Loures, altura em que cimentou grande parte do seu “conteúdo político”.

Nesses dois momentos, que lhe permitiram atingir um primeiro patamar de celebridade, dois tipos diferentes de órgãos de informação (desportivos vs generalistas) contribuíram para a “construção” da imagem de André Ventura nas redes sociais. Mas, com a criação do movimento Chega, primeiro como movimento político contra Rui Rio e depois como partido legalizado, entrou em cena uma nova força de propulsão da mensagem de André Ventura.

A “explosão” de notoriedade de Ventura depois das eleições legislativas de outubro de 2019 alimentou-se de dois fatores: de uma muito maior quantidade de conteúdos noticiosos sobre o Chega e da distribuição e manipulação desses conteúdos nas múltiplas páginas e grupos de apoio ao partido e a André Ventura. A presença do líder personalista do Chega numa eleição unipessoal, como é a eleição para Presidente da República, maximizou esses fatores, pelo menos no Facebook, e criou uma torrente de posts e de interações que deu origem ao fenómeno André Ventura nas redes. Curiosamente, os quase 500 mil seguidores das múltiplas páginas ligadas ao Chega e a Ventura, correspondem ao número de votos que Ventura conquistou nas presidenciais.

Na análise deste fenómeno de celebrização política, a conclusão principal a reter é que estamos perante dois campos de comunicação – os meios de comunicação social noticiosos e as redes sociais – que funcionam segundo lógicas diferentes mas dentro de um mesmo modelo de comunicação em rede.

 


NOTA METODOLÓGICA: Este estudo longitudinal tem como objetivo principal identificar as páginas e grupos públicos de Facebook em Portugal que geraram mais interações (reações, comentários e partilhas) nos posts com referências a André Ventura entre 2016 e 2021. Com base nesta análise definimos 4 fases distintas no percurso online de André Ventura, que foram sustentadas nos eventos offline do candidato e nas publicações no Facebook que geraram mais interações.

Neste estudo fazemos também uma avaliação quantitativa da evolução das métricas e fãs das páginas de Facebook ligadas ao partido Chega e André Ventura, entre janeiro de 2019 e janeiro de 2021. Os dados para esta análise foram extraídos através da ferramenta CrowdTangle, usando a API pública do Facebook. A recolha de dados abrange todos os posts da autoria de qualquer página ou grupo de Facebook que utilize a expressão “André Ventura”. Para esse acervo de publicações são depois retiradas e analisadas todas as métricas de interação.

A seleção das páginas de Facebook associadas ao partido Chega e a André Ventura foi efetuada utilizando o algoritmo de sugestão de páginas do próprio Crowdtangle a partir de dois inputs iniciais: a página oficial do partido Chega e a página oficial de André Ventura. Foram integradas na seleção para análise todas as páginas sugeridas que tivessem, à data da recolha, mais de 1000 fãs. Ao todo, a lista completa de páginas afetas ao Chega inclui 64 páginas.

Outra componente da análise diz respeito às notícias publicadas sobre André Ventura. Aqui foi igualmente considerada a query “André Ventura” e foram recolhidas todas as notícias de meios de comunicação social portugueses publicadas online entre janeiro de 2019 e janeiro de 2021 com alguma referência a essa query. São considerados todos os sites online portugueses, independentemente da sua abordagem editorial, que ao longo desse período publicaram algum conteúdo sobre André Ventura. Os blogues estão excluídos desta análise. Nesta parte foi usada a ferramenta Brandwatch, que incluiu um módulo para a recolha de notícias.

Posteriormente, foram selecionados para análise mais aprofundada os 5 posts com mais interações para a query “André Ventura” publicados por páginas de Facebook associadas a meios de comunicação social para cada uma das 4 fases identificadas acima. Os urls das notícias originais desses posts, que remetem para os sites dos respetivos orgãos de comunicação social, foram analisados usando o Crowdtangle que fornece métricas de Facebook para o número de interações públicas e privadas e divulga a lista de partilhas públicas do url. Esses dados permitem compreender a viralidade longitudinal daquele url e as dinâmicas públicas de partilha, destacando quais os grupos e páginas que mais obtiveram interações através da partilha da notícia.

 

2 Responses

  • Quando os EUA se livram do presidente mais mentiroso da história do país, fruto do declínio da própria democracia americana. Por cá precisamente por vivermos num período de decadência da democracia que há conta disso, aparecem gajos cheios de demagogia que em vez de trazer mais democracia querem menos democracia. Mais precisamente um AV e o seu Chega que por dizer umas verdades e muitas mentiras, segundo as sondagens vai já na terceira força politica. E assim manipulados vemos tantos portugueses da classe média e baixa a querer menos direitos no trabalho, menos impostos para quem mais tem e ganha, mais desigualdade. Uma constituição presidencialista, mais autocracia e concentração de poder. Introdução do despedimento sem justa causa, acabar com o limite de horário de trabalho, flexibilização dos vencimentos, acabar com os impostos progressivos, reduzir ao máximo o poder dos sindicatos, ensino e saúde privados. Tudo medidas que nos afastam ainda mais dos trabalhadores dos países desenvolvidos do norte da Europa, e nos aproximam dos trabalhadores de países como a China. Viva a demagogia.

  • Do mediatismo televisivo, AV representa o Benfica, de quem se serviu e era servido. Se colocarmos a seguinte questão, nas mesmas condições, um representante futebolístico, nas televisões, do F C do Porto, calculo que teria 3,00003 de votos.
    Chave: BENFICA

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